Anos 90. Eu era diretor de uma escola. Sabia que o tempo do formado havia acabado e investia em palestras e seminários com os mais renomados pensadores. Um dia a Profª Herta, matemática, me indagou: Tudo bem, bons palestrantes, mas o resultado na prática não muda. Eu também estava incomodado com isso. Levamos o caso à reflexão com os professores. Assim surgiu coletivamente o programa “Formação Continuada dos Professores”. Em síntese: 1. No começo do ano, mapeamento dos problemas da escola. 2. Formação de grupos de estudo, máximo seis por grupo. 4. Cada membro do grupo lê um livro sobre o problema. 5. Os professores levam as reflexões à prática. 6. Uma vez por mês compartilham o estudo e a prática no seu grupo. 7. Final do semestre/ano socializam as inovações com os colegas. 8. Escrevem um artigo sobre o estudo e a prática. 9. A escola organiza a publicação em livro/revista científica e a socialização.
Assim, de semestre em semestre, de ano a ano o programa seguiu durante 24 anos em Estados e Escolas diferentes. Os resultados foram auspiciosos: muita motivação dos professores discutindo problemas do cotidiano; fortalecimento da cooperação; resgate do hábito de estudar; o exercício de escrever sobre a prática; o resgate da autoria do professor; o baixo investimento financeiro. Comprovamos que mudar a educação exige estudo, processo e produção. Concluímos que palestras, seminários isolados não transformam, apenas trazem motivação passageira.
Para pensar: Brasil afora se gastam milhões em cursinhos rápidos, com formação do faz de conta que não transforma. Será que não está na hora de nos voltarmos para dentro das instituições e construir a nova escola, a nova faculdade a partir dos nossos ideais e sonhos?