Talvez você nunca tenha ouvido falar sobre “verbos inteligentes”. Essa expressão foi cunhada por um amigo nosso #NelsonLima, um neurocientista português e membro do conselho europeu de desenvolvimento humano. Ele conversava conosco quando abordou sobre a questão. Quando ouvi logo pensei que se tratarmos alguns verbos com esse adjetivo, outros, então, ficariam do lado de fora. E foi exatamente o que percebi quando comecei a refletir sobre o assunto. “Refletir”, por exemplo, é um verbo inteligente, não por que possui em si alguma magia específica, mas por que produz um exercício mental complexo que não permite ao sujeito ser raso em seu argumento.
Imagine agora que, ao invés de usar em sala de aula exercícios com verbos do tipo “cite”, “liste”, “diga (quais, onde e quando)”, ou ainda “é correto afirmar que”; usássemos “identifique”, “observe”, “interprete”, “argumente”, “analise”, “reflita”, “crie”, “solucione” , entre outros, todos verbos que chamaríamos de inteligentes e que colocam o estudante na condição ativa de aprendizagem, movimentando o seu cérebro. Logicamente, para usar verbos desse tipo o professor precisará replanejar, mudar significativamente a didática das suas aulas e já não conseguirá ficar na frente da turma transmitindo conteúdos o tempo todo. Ao contrário, os estudantes terão que trabalhar. Eles precisarão buscar fundamentos, dialogar com os colegas, criar soluções úteis para si e para a sociedade, se posicionarem de forma crítica, autônoma e com protagonismo. Isso confronta com as atuais práticas pedagógicas ainda presas aos verbos que podemos chamar de lineares que apenas levam o estudante a repetir conteúdos. Verbos inteligentes, pelo contrário, movimentam a aula e colocam o estudante realmente no centro do processo de aprendizagem.
Agora, posso fazer uma provocação? Se tiver filhos, reflita sobre quais verbos de comando e ação usa em casa com eles e, se tiver em idade escolar, dê uma olhada no livro didático e verifique que verbos e indicações de ações o livro e o professor do seu filho estão cobrando dele. Lembre-se, quanto mais for solicitado o protagonismo e a autonomia de um ser humano, mais despertará o espírito investigador, fomentador e determinado desse ser humano. Isso vale para a escola, para o professor e para a família.
Vamos usar e exercitar os verbos inteligentes também na escola?