Dia do Professor: O Ser Professor

O 15 de outubro nos remete para a profissão das profissões: o professor. A origem da palavra: os primeiros registros são do século XIV na Inglaterra. Origina-se do verbo em latim “profitare”, que significa “professar” em português, ou seja, “declarar publicamente ou afirmar perante todos”. 

Talvez a profissão de professor seja uma das mais discutidas e questionadas. Vamos a algumas reflexões: A partir da raiz da palavra professor, “Se ele declara publicamente ou afirma perante todos” então ele está com a verdade e está habilitado a transmiti-la? Mas como isso pode ser aceito se vivemos em um mundo aonde cada dia temos novas verdades, novas compreensões e explicações sobre as coisas? Outra reflexão: Ele ensina? Mas como podemos aceitar que ele ensina se, como diz Paulo Freire, “Ninguém ensina ninguém”? Ou como afirma Piaget  “O professor não ensina, mas arranja modos de a própria criança descobrir”. 

Essas concepções mostram que “O Ser Professor” não pode ser visto de forma separada dos avanços que a ciência provocou sobre a compreensão da vida e a mente humana. Sobre a vida está hoje muito claro que ela não é estática. Ela é dinâmica. As coisas ESTÃO em movimento, precisam ser analisadas sob múltiplas dimensões e em contínua transformação. A vida não É acabada e com verdades únicas e plenas. Portanto, nem professor e nem ninguém pode dizer hoje que domina a verdade plena, pois TUDO pode ser sempre investigado e questionado. Portanto, “Declarar publicamente ou afirmar perante todos” precisa ser revisto a partir da ótica de que as coisas ESTÃO.

Por outro lado, os avanços sobre o estudo da mente indicam que o novo aprender precisa ser provocado de dentro para fora e não mais de fora para dentro – transmitir – memorizar-repetir. Portanto, desconstrói-se a máxima de que o professor ensina, neste caso de fora para dentro, com verdades plenas.

E então, qual é afinal o papel do professor? Vamos ficar com Vygotsky quando conclui que o professor é o mediador para na construção da nova aprendizagem pelo estudante. Faz a mediação entre o que o estudante vive, conhece e a nova aprendizagem que necessita para conhecer o mundo, a vida e poder realizar suas necessidades e desejos como ser humano. Em síntese: o professor usa a vida problematizada vivida pelo estudante para provocar o desejo de aprender; usa os conhecimentos científicos para que o estudante possa refletir a vida por ele vivida; no final, o professor deve sentir-se realizado se o estudante retorna para a sua vida transformado, com novo conhecimento, nova compreensão e novas capacidades. 

Temos agora o Novo Ser Professor. Feliz dia do Novo Professor!