Educação, desigualdades e contradições

Muito tem se falado sobre as desigualdades que o Brasil enfrenta no segmento da educação e que, a partir da pandemia, o problema aumentou de tamanho e profundidade. Desde a infância, crianças são impedidas de se matricular perto de casa por falta de vagas. Escolas públicas têm carência de reformas, de materiais básicos e de professores. Parece que a regra criada no início da colonização ainda vige e exclui e impede que a população alcance não somente o direito à escola, à matrícula, a professores formados, mas ao potencial transformador da educação. 

Ao contrário da calamidade acima, segundo o IBGE, temos 98% da população em idade escolar matriculada, no entanto, o PISA 2018 nos adverte que apenas metade desses estudantes brasileiros têm o nível de proficiência necessária em leitura e, em matemática. Os problemas se avolumam ainda mais e quase 70% da população avaliada demonstrou sérias dificuldades e baixo nível de proficiência. 

Em contrapartida, o analfabetismo no Brasil vem caindo ao longo dos anos e está em torno de apenas 6,5% da população e, para não acharmos que estamos no topo  e vencemos a ignorância, de toda a população matriculada na escola, em torno de 30% são analfabetos funcionais. Isso significa que assinam o nome, conseguem ler e escrever pequenos textos e listas de compras, mas não conseguem refletir, produzir e transformar nosso Brasil em algo melhor. Apenas sobrevivem em um mundo de exclusão e trevas.

Além, e ao contrário disso, temos escolas, temos matrículas, temos professores, temos livros didáticos, temos alto investimento em educação no país, temos políticas públicas, leis, diretrizes, mas sérias dificuldades na aprendizagem dos nossos pequenos cidadãos. Somos um país de tolos? Menos inteligentes que outros no mundo? O que nos falta? O que carecemos?  A escola, pode não ser a do seu filho, mas precisa mudar. O professor, pode não ser o do seu filho, mas precisa mudar. Nossas concepções de educação, pode não ser a sua, mas precisam mudar. Se não, continuaremos na vala dos índices de desenvolvimento. A desigualdade que falamos no início coloca todos nós em sérios problemas presentes e futuros. Não é do outro, é meu problema. Apenas reflexões, apenas desejos que compartilho com você.